Ouya: Revolucionário ou A Maior Falha na Historia dos Videogames?
Nestes últimos dias vimos um novo e supostamente revolucionário console, o nome dele é Ouya e a sua premissa é no minimo diferente. Como disse muitas vezes aqui no Gameshow, a ideia do Ouya é ter um console especializado em jogos free to play e de ter o código base aberto para o público, assim qualquer um pode comprar o console, receber o kit de desenvolvedor e fazer o seu próprio jogo. Tudo isso pelo preço de US$ 99.
De acordo aos idealizadores, Yves Behar e Julie Uhrman, todo console seria o seu próprio kit para o desenvolvedor em questão, por isso não seria gasto nada para a compra da licença, a segunda vantagem é por ele estar funcionando diretamente via Android, que é aparentemente uma plataforma simples na opinião dos criadores. Mas isto não quer dizer que o Ouya só pode ter jogos do Android, Julie também apontou que pode ser criado de qualquer forma.
Mas isto não é tudo.
Ouya foi feito para literalmente qualquer um abrir e mudar suas peças, desde modificar partes para melhorar o desempenho do console ou até criar um hardware desde o começo, sendo que o próprio time está disposto até enviar os documentos com design do console para qualquer um. Apesar que isto pode fazer sérios problemas relacionados a tentativas de fraude em jogos e no hardware, ainda é um sonho molhado de qualquer hacker/modder e aficionados em hardwares.
Além de jogos, a outra possibilidade é criar aplicativos para o Ouya. Na pagina do Kickstarter é revelado uma parceria com o Twitch.TV conhecida pelo streaming de jogos e campeonatos, ao vivo e de graça. Na página do Kickstarter também vemos que muitos desenvolvedores independentes (como Mojang e Thatgamecompany) estão apoiando o novo console.
Neste momento o Ouya está chegando na quantia de US$ 4,9 milhões arrecadados, passando longe da quantia esperada de US$ 950 mil. E ainda faltam mais de 23 dias para o Kickstarter terminar, com certeza este é o maior exemplo de que o público quer um console novo e diferente para sair da saturação.
O console está ganhando cada vez mais notoriedade pelo simples motivo da falta de criatividade que estamos tendo ultimamente nos videogames. Todos os dias temos mais e mais noticias anunciando versões remasterizadas de jogos antigos (para lucrar em cima da nostalgia alheia), continuações de franquias grandes e a saturação de gêneros populares para que as maiores empresas consigam lucrar para evitar uma demissão em massa, é só nos vermos como tudo está indo ultimamente, temos a Radical Entertainment, Project Sora, 38 Studios e Big Huge Games entraram em falência somente neste ano, também tem o fato da SEGA entrando em uma mudança estratégica que cancelou muitos jogos para dar espaço aos mais lucrativos, e acredito que nem preciso de falar sobre a THQ e sua decadência em espiral desde o começo do ano. E por isso o Ouya está aqui, feito para quebrar o paradigma da repetição e falência de desenvolvedoras presas a empresas grandes ao disponibilizar a criatividade para o próprio gamer, pelo menos teoricamente.
Mas ainda não temos nada para provar este poder, a excitação do público aumenta cada vez mais que uma noticia sobre o Ouya aparece e o console vai ganhando mais chances de conseguir ser o melhor do mundo ou ter problemas tão grandes que ele cairá de seu pedestal de uma forma magnifica e trágica.
Isto me leva para o segundo ponto, qual é o público alvo do Ouya? Pelo visto a sua intenção seria para aspirantes a desenvolvedores e empresas indepentes que precisam de mais notoriedade, mas o dinheiro arrecadado traz uma história completamente oposta.
Quanto mais dinheiro for conseguido, mais a possibilidade da intenção do Ouya mover para o mercado de games tradicionais. Isto pode ser tanto bom quanto ruim, enquanto a capacidade gráfica do console irá aumentar, ele não venderá como devido caso atingir o gamer normal. Com o tempo o Ouya será tarjado como um console especial dentro de um mercado genérico e ele terá pouco tempo para competir contra os consoles da próxima geração, neste momento o mercado ficará cheio para quatro consoles competirem sendo o único diferencial para Ouya é a disponibilidade para a criatividade.
Acredito que iremos ver o Ouya como um diferencial para os consoles, enquanto nós teremos o Xbox 720 e PS3 com efeitos gráficos insanamente altos e o Wii U com um design diferente, existirá mais um, o console direcionado para o gamer que não vê jogos como uma forma de entretenimento e sim como uma ferramenta para a criação de qualquer coisa que a criatividade deixar. O grande problema é, será que isto é tudo para que ele lucre o bastante?
Infelizmente não é possivel de saber até que ele seja lançado. Por enquanto somente o tempo dirá se ele será o próximo console para revolucionar a indústria como um todo ou será a próxima falha financeira desde o Virtual Boy.








Acho que nem um nem outro. O Ouya provavelmente vai ser o sucker punch da indústria. Imagino que será uma meio que a união de um PC, um smartphone e um website de jogos em flash. Podem até existir jogos mainstream para ele, mas eu apostaria mais no lado B da coisa: emuladores, jogos em flash, romhacks. Não apostaria no sucesso comercial do console, até porque esse não é o ponto de um fruto do Kickstarter. Pessoalmente eu gostaria muito de ter um console bacana pra poder jogar vários jogos emulados online. Já imaginou, livre de DRM, de camadas sociais e todas essas firulas que existem hoje. Apenas uma base estrutural para seus jogos, de forma simples e objetiva. Isso é praticamente a mesma coisa de ter um PC e um joystick bacana, porém muito mais barato e acessível. Eu duvido muito que o Ouya vai ser um competidor dos consoles pesados, do mesmo jeito que o iOS não é competidor do 3DS. Agora, se vai dar certo mesmo, só o tempo dirá.
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